domingo, 14 de agosto de 2011

Martha Medeiros , Mais Uma Mulher Da Casa Das Palavras...



“‘A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo, quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.’Martha Medeiros”

Dialogando com  intimidade sobre os fatos da vida, Martha Medeiros nos convida a refletir sobre a arte e a sabedoria de olhar o que acontece  no cotidiano, sem  tantos porquês e enigmas indecifráveis, em seu novo livro “feliz por nada”.
O livro é uma coletânea de textos publicados,  originalmente,  nos jornais "Zero Hora" e "O Globo", de onde é colunista. A Editora é a LPM.
Você que é um (a) devorador (a)  de livros da referida autora, não pode  deixar de conferir  mais esse presente chegado, tão oportunamente, não é mesmo?
Lis Lisboa

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Onde está a Felicidade?

Onde Está a Felicidade?

Com estreia, em Rede Nacional, prevista para o próximo dia 19 de agosto, a Comédia Romântica Onde Está a Felicidade? já evidenciava, os primeiros sinais, de que seria lider de bilheterias.
Agora, isso se confirmará, sem sombras de dúvidas, depois que o longa conseguiu ganhar o troféu  "Menina de Ouro", concedido ao melhor filme  eleito pelo público no Festival de Paulínea e o de melhor atriz coadjuvante para  a popularissima dama  da dramaturgia espanhola  Maria Pujalte.

O filme traz o roteiro de Bruna Lombardi e a direção de Carlos Alberto Riccelli. É uma coprodução Brasil/Espanha, ambientada nos dois paises, sendo distribuida pela Fox Film do Brasil.
O Enredo mergulha nos labirintos de conflitos existenciais de sua personagem Theodora que busca desesperadamente respostas para o seu desejo de ser feliz, não importando os meios para obtê-las.
Assim parte, com seus amigos,  rumo a tentativa de espiritualizar-se, fazendo o "Caminho de Santiago de Compostela ", onde a história ganha corpo e retrata todas as perfomances utilizadas pela chef de cozinha para alcançar os seus objetivos, depois, de tantas desilusões no emprego, no casamento ( onde se sente desvalorizada)  e nas mensagens absorvidas pela realidade que deixa para trás , quando resolve  descobrir  Onde Está a Felicidade?
Acho que todos devem estar desejosos de conferir os resultados dessa  jornada, com apimentadas doses de humor e descontração, recomendada para um fim de noite, depois, de um dia de intenso trabalho.
E você já descobriu onde está a sua Felicidade?
Lis Lisboa

domingo, 7 de agosto de 2011

Acervo Interior !



Caminhando pelas estradas percorridas por José Saramago, apoderei-me de um dos trechos
que evidenciavam uma importante sinalização :

" A vida é breve , mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver "

Todos nós possuímos uma casa, um acervo interior e um caminho a seguir , neles abrigamos sonhos, família, palavras, histórias, lembranças,desafios, escolhas, amizades, parcerias, paixões, amores, conquistas, desafetos, tristezas, recomeços...
E por mais que convidemos outros integrantes para compô-los, sempre haverá um espaço para acomodá-los adequadamente!
Às vezes, quando menos percebemos, estamos no porão, no andar das lembranças, à procura de trechos e registros do passado, que de repente, ressurgem na linha do tempo para desacomodar as certezas e caminhar entre aquilo que ficou mal resolvido, intrigantemente revolvido e a um toque ou simples descuido, chamado à realidade.
Para quê e por quê nos detemos diante do que o passado havia levado para longe, bem distante de nós?
Muitas vezes, juramos não chorar nem nos arrepender. O final  de cada jornada será sempre colocado sem indecisões e lutos permanentes.
Sacudimos a poeira, abrimos as janelas e deixamos novamente a luz do sol penetrar pela casa a dentro.
Como poderemos afirmar que, certos itens, de nossas histórias deixarão de ter e fazer algum sentido em nossas vidas?
A vida tem o seu próprio curso e não abranda os desafetos nem promove workshoppings de memórias para o que ela retrata.
Simplesmente nos oferece alguns de seus cenários e um espaço no tempo para registrarmos aquilo que criamos e desejamos concretizar. "Quando e por quê acaba," para ela é indiferente.
Se lidamos com esse elemento tão indiferente às nossas mazelas e realizações, precisamos acionar as nossas fontes de intuição e sabedoria para cuidarmos com especial atenção, de tudo que o universo colocará em nossas mãos, tornando-nos mais sensíveis e brandos diante dos embates da vida.
Se algum dia, tivermos que resgatar algo que ficou para trás, mostrando-nos hoje, o quanto fomos imaturos e intransigentes em nossas avaliações e critérios, que sejamos corajosos diante dessa nova possibilidade de tentar.
Nossas certezas nunca serão absolutas porque a vida sempre promoverá muitas chances de escolhas e recomeços. Se somos imperfeitos não toleramos lidar com as imperfeições do outro.
Somente quando alcançarmos esse trecho da estrada é que perceberemos tudo que deixamos de  viver por medo de arriscar e por excessivo rigor manifestado em nossas atitudes.

" 'Você é livre para fazer escolhas, mas prisioneiro das consequências' Pablo Neruda"

Concordando com os poetas citados, será importante refletirmos sobre nossas ações e os danos que elas causam a terceiros e a nós mesmos , quando se instalam  irremediávelmente distantes de qualquer pretensão de resgate.
Lis Lisboa
                                           

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Viver a Dois...


Será que consegui graduar-me na história de mim mesma?
Será que aprendi tudo que deveria saber sobre a minha vida?
Onde foi parar cada desejo que joguei de lado, experimentando
 o amargo sabor de derrota arranhando a minha garganta?
Quantas vezes estive diante do espelho e percebi que os meus olhos, não refletiam o mesmo brilho, que contagiava a todos, por qualquer motivo, celebrando o mágico, emoldurado em emoções simples, mas de eterna nitidez no meu túnel do tempo?
Dentro desse tabuleiro de questões, antes de conferir o gabarito com as respostas, preciso confessar a grande dificuldade que senti ao ver o mundo de frente para mim, exigindo-me atitudes, ainda, tão imatura para buscar alternativas mais precisas.
E assim, a vida foi virando as suas páginas em cenários e contextos ricos em ofertas para o meu aprender.
Começando a viver em diferentes sintonias e apelos urgentes, passei a perceber o mundo que me aguardava, em suas jornadas imprevisíveis e surpreendentemente transitórias.
Procurei caminhar através dos livros e neles encontrei a Literatura que buscava para inventar os caminhos que, agora, seriam meus por direito.  Fui aprendendo a fazer uso da minha sensibilidade para conviver serenamente com os amigos e pessoas que também aprendiam a conviver melhor comigo.
Cada resposta mais instigante que a outra que eu obtinha, advinha da minha forma de expressar e sentir.
Essas trocas evoluíram ao longo do tempo, dando-me a certeza de que somos responsáveis diretos por nossas queixas, ranços e incômodos.
Ninguém poderá ser responsabilizado pelas minhas irritações, neuras e
tpms. 
Refletimos aquilo que somos, pensamos e sentimos e não toleramos encontrar no outro, traços comuns as nossas fraquezas.
Temos que descobrir aquela porção que precisa oxigenar mais, o nosso bom senso, para preenchê-lo com leveza e serenidade, em beneficio da arte de viver sozinho, a dois, a três, a quatro, a cinco... E mesmo, quando, a ordem decresce de cinco para quatro, depois para três, depois dois, depois para um, e novamente, ser dois ou mais,
a qualquer tempo e desejo de simplesmente recomeçar com novos critérios, escolhas e prioridades.
Toda vez que você acordar e considerar impossível dar a volta por cima de qualquer dificuldade lembre-se que esta sensação logo desaparecerá, se você encarar de frente essa situação.
Se você deseja dias coloridos e radiosos, carregue nas tintas e pinte o dourado do sol em profusão, sobre o seu telhado, certamente as portas e janelas permitirão, que os seus dias se eternizem, mesmo que sejam, apenas, em sentido e qualidade.  A escala do tempo de nada servirá sem essas alquimias tão bem sintonizadas.
Busque a sua melhor porção no curso das coisas e desejos que compõem a sua história, ainda, inacabada.
Atenção! Não, responsabilize o outro por, ainda, não conhecer os caminhos que você usou para chegar primeiro. Cada um tece o seu próprio tempo.
Não apure as falhas do outro tão rigorosamente.  Mas, seja paciente e tolerante para esperar o momento certo de chegarem juntos à realidade sonhada.
Lis Lisboa

domingo, 31 de julho de 2011

Estar Sozinho...




Olhar o relógio e não vê o tempo passar,
buscar motivos para não voltar pra casa,
assaltar a geladeira, a cada meia hora,
ligar e desligar aparelhos sem quê nem pra quê,
andar de um lado para outro, sem saber que direção tomar,
entrar em coma alcoólico,
derrubar e quebrar objetos descontroladamente,
invadir os sinais irresponsavelmente,
deitar e não dormir,
acender, apagar luzes e cigarros sucessivamente,
ser vencido pelo cansaço, e só assim, relaxar...
São coisas que evidenciam ansiedade,
desconforto, irritação, angústia e depressão.
Se esse misto de sensações e muitas outras passaram a fazer parte
de sua vida, fique atento, para localizar a origem desses sintomas.
Caso, você constate que esse comportamento, advém da sua condição de estar sozinho, será preciso, esforçar-se para buscar entender, o porquê, de estar acontecendo tudo isso.
Tente exercitar a sua sensibilidade para produzir uma atmosfera amena e produtiva, em torno de si.
Permita-se, ficar sozinho em sua casa, curtindo prazeres e deleites, ainda, não experimentados e incorporados, aos códigos que destacam a sua história pessoal.
Em seu endereço não existe uma prisão.
Sinta-se em uma bela casa com paredes, portas e janelas.
As chaves estão sob sua guarda.
Tente aconchegar-se em seu próprio ninho e refúgio.
Não o rejeite nem o exclua de sua vida.
Suas referências mais intimas e pessoais ai, se destacam.
Só você não percebe quanto tempo, passou fora de casa...
Deixe a vida lá fora acontecer sem você por perto.
Dê um tempo pra você abrir as gavetas, trocar a água
do aquário...
Crie intimidade com esse universo interior e relaxe.
Estar sozinho não é sintoma de castigo, doença, fracasso ou luto .
É preciso atravessar os terremotos e tsunamis sem prejuízos emocionais.
O Ciclo das Estações sugerem digerir ideias antigas e plantar ideias novas.
Heráclito dizia que tudo muda em um constante devir, nada permanece.
Cada dia é literalmente diferente do outro. E cada ser consegue renascer, a partir do momento, em que se percebe, renovado e pronto para recomeçar.
É necessário aprender a desfrutar da própria companhia para que outros “insights” sejam acionados oportunizando boas conexões e equilíbrio no critério de escolhas e prioridades em sua vida.
Quem não aproveita a condição de estar sozinho para fazer um “remake”em sua porção interior, não conseguirá estabelecer especiais sintonias em sua forma de relacionar-se com o outro.
Você seria uma boa companhia para si mesmo, se pudesse assistir ao
filme de seus tórridos e solitários momentos de ansiedade e desconforto?
Tente “serenar” os momentos em que, “estar sozinho” valerá para descobrir-se, como um ser mais flexível e capaz de recriar-se, diante do vem e vai que reprograma as necessidades do saber viver  a dois,  com as cores que a realidade timbra para todos,  sem pena nem arrependimentos.
Não foi à toa que Baudelaire, órfão desde os seis anos de idade, dizia: "Quem não sabe povoar  a sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão."
Lis Lisboa


sábado, 30 de julho de 2011

Casa de Palavras ...



Encontrando Clarice Lispector ...


Mas, de vez em quando, vinha a inquietação insuportável:
queria entender o bastante para pelo menos, ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora, no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera, era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos, se sabia que se estava em plena condição humana.
Clarice Lispector, in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nessa Casa de Palavras , Elas Esbanjam Sensibilidade...



Lia Luft  Escreveu...
Os ganhos ou danos dependem da perspectiva e possibilidades
de quem vai tecendo a sua história.
O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez  morrer, é recriar-se:   a vida não está aí, apenas, para ser suportada, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente  executada. Muitas vezes, ousada.