
21 de Dezembro de 2011...
Não estava em meus planos despedir-me de alguém, nessa tarde de sol e intensa vontade de conversar com pessoas muito mais que especiais.
No entanto, algo me impulsionava para ir ao encontro dessas pessoas.
Eu poderia dar uma volta no Shopping para acelerar a compra de presentes
para o Natal, eu também poderia optar por correr para casa e tomar uma ducha bem fria e revitalizante, poderia ir ao cinema , mas desejei reunir-me com as minhas amigas irmãs , tomar um cafezinho, colocar os assuntos em dia...
E depois de ver passar uns quarenta ou cinquenta minutos seguidos, entre as novidades e projetos, veio a noticia do outro lado da linha.
Alguém muito querido havia partido, após, tantas provações e longo período acamado.
E agora? Ficamos sem palavras. O pranto veio de forma avassaladora, totalmente sem controle, num misto de emoções desgovernadas sem rumo certo entre o pensar e o agir.
Mesmo sabendo que o seu sofrimento estava tendo um fim, era difícil não sofrer, não chorar , não permitir que a saudade penetrasse no fundo de cada uma de nós, para remexer com a porção amor que ali estava sedimentada.
Era tão difícil aceitarmos essa eterna despedida que nos pegava , agora tão desprevenidas, sem chances de um adeus mais detalhado ou mais compartilhado, na hora exata dessa total solidão que anunciava uma despedida inexorável, surda aos apelos, súplicas, pedidos ou orações entre soluços ou silêncios entrecortados pela dor que implorava um pouco mais da alegria de momentos compartilhados especialmente.
Lembraremos da nossa doce e sensível Nyzinha sempre que a nossa frente, alguém nos olhar com lindos e reluzentes olhos azuis...
Aquele inesquecível olhar que invadia os espaços e mostrava-se tão presente, tão inteiro em convicções e serenidade...
Mulher sentimento, esposa dedicada e fiel , senhora do lar, mãe exemplar, irmã abnegada, cunhada querida, prima dedicada, avó coruja, tia atenciosa e zelosa, sogra cúmplice, amiga de todas as horas, devota dos santos e das causas nobres , admiradora fiel do pai eterno, espiritualidade incontestavel...
Como despedir-nos de um alguém assim?
Como, às vésperas do Natal, aceitarmos essa partida tão difícil de ser encarada?
Aqueles olhos azuis... Aquele riso fácil, contagiante e revelador...
Os sábados e as quartas-feiras não serão mais as mesmas, foram as palavras de seu neto Ticiano... Foram palavras que todos nós sabíamos quantos significados elas carregavam.

Aqueles nossos encontros, aquela mesa grande, as nossas trocas...Os nossos Natais... Sempre era festa , alegria e harmonia deliciosamente compartilhadas naquele lar. Por isso, aquela casa era tão bonita e perfumada!
Agora, esse momento nos trazia a eterna despedida de quem não envelhecerá em nossos corações...
Eternas lembranças não cabem em eternas despedidas...
O coração desobedece e invade o impossivel, trazendo-nos tantas outras certezas de que as nossas histórias não terão fim , porque somos uma família
que unida fará valer o amor pelos séculos, dos séculos amém !
Dedico esse texto à mulher que tomei emprestado para ocupar o lugar da minha mãe , quando esta também se foi, sem despedir-se, tomando-nos de surpresa , com uma dor de saudade muito maior que todo esse mundo que conhecemos e aprendemos a sentir coisas que não sabemos explicar, porque o
coração não entende os códigos que usamos para nos comunicar. Ele não precisa de dicionário nem tradutores, apenas , exerce toda a sua nobreza e essencialidade apesar de , e ainda que... Ama porque ama e para isso, não tem explicações.

Lis Lisboa





