Desde adolescente, sempre me senti atraída por grandes teatros, filmes em estreia e histórias que se escondiam em livros, proporcionando-me fugas espetaculares daquela realidade que não instigava os meus dons e sonhos mais que aprisionados, loucos para voar e aterrissar num mundo diferente, sempre em ritmo de festas, acontecimentos e roupas extravagantes.
Adorava envolver-me nessas alquimias, carregar grandes livros, cheios de letras douradas e belas imagens desafiadoras de tantos sonhos que se agigantavam dentro de mim...
Meu Deus ! Eu não sou a Alice , mas poderíamos ter brincado juntas com um batalhão de crianças felizes, numa floresta encantada, conversando com as borboletas, logo ao amanhecer...
Mas, outras meninas, da rua "R", vieram brincar comigo na estação do sonho, no faz de conta do acredite se quiser ou no era uma vez, assim vai começar...
Rebeca em sua Torre , Maria e seus Chocolates, a Lady Red preocupada com a vovó e a Alice cheia de sonhos com maravilhas a conquistar...
No singrar das estrelas demos vida as personagens dos nossos textos, fomos a inúmeros bailes nos cliques da fada madrinha e sentimos de perto, a emoção de estar nos antológicos shows do Rock in Rio.
Coisas muito boas de lembrar !
Quando poderei encontrá-las novamente, assim desse modo, fazendo o tempo voltar, perto do velho farol, naquela praia deserta, antes do por do sol?
Crescemos. Quase não vimos o tempo passar.
Mudamos os nossos roteiros.
Hoje, visitamos tantas outras estações.
Onde fomos? Onde chegamos? O que fizemos ? O que aprendemos?
Na verdade, não daria tempo para explicar, os detalhes teriam que vir à tona... Deixemos isso pra depois...
Será que, neste momento, poderei localizá-las no Facebook ou tuitando, por ai?
Distanciadas pelos oceanos e fusos horários, mas inteiramente conectadas pelos vínculos afetivos, sujeitos a chuvas e maremotos, postamos constantemente as novidades no ar.
Lembro-me que tínhamos um pacto:
Nunca permitíamos que o mês expirasse, sem lavarmos toda nossa roupa suja. Cada uma falava para a outra , aquilo que estava magoando ou causando grandes estragos.
E nenhuma de nós virava as costas e saía, sem que um grande abraço entrelaçado por oito braços e muitas risadas, fechassem com chave de ouro aquela sessão.
Sem cobranças rigorosas, sem conclusões precipitadas, sem histórinhas distorcidas, sem ciúminhos e barracos desconcertantes, assim era composta a nossa ata de acertos de contas.
A sinceridade e a sintonia fortaleciam o nosso quarteto.
Havia serenidade na hora do ouvir e zelo na hora de cuidar...
Isso era gostar!
A vida , de repente, colocou uma pausa nos divertidos encontros ao vivo e à cores, mas certamente, não nos fez esquecer tudo que pintamos em aquarelas de eternos timbres.
Se a memória ou os imprevistos do cotidiano não nos trair, em Setembro, nos encontraremos em nosso "Décimo Terceiro Ano de Formadas."
Mesmo distantes, pela total imposição do ofício e idas e vindas do amor, registramos as nossas aventuras em nossos acervos pessoais, que ao acessarmos , sempre nos farão viajar nas aventuras turbulentas ou festivas, desse quarteto que não complica nem impõe, o desejo de continuarmos sendo amigas para sempre!
Dizem que toda mulher adora trazer à tona os seus sonhos e fragilidades, mas que é exigente na escolha das pessoas que compõem a sua relação, principalmente, quando são do sexo feminino, pois, lidará com experiências muito semelhantes as suas. Na hora do filtro para essa seleção, aquelas que conseguirem diblar os conflitos do cotidiano sem batalhas e grandes tiroteios, aumentarão as suas chances de conseguirem um passe livre para compartilharem a dificil arte de se relacionar, movidas pelo respeito mútuo, pela descontração e pela reciprocidade.
A partir daí, proclama-se as boas vindas para essa parceria com o seu rico leque de momentos destinados a sérias reflexões e deleites desfrutados sem juizo final.
Quando a troca de segredos, novidades e dicas especiais transparecerem em plena luz do dia, sem receios e disputas desnecessárias, poderemos constatar o verdadeiro significado da complementaridade.
Ai, não será dificil descobrir preferências e diferenças no jeito de ser
de cada uma, no desenrolar de suas rotinas e projetos pessoais.
Mas, quando o convite definir e o astral exigir, muito mais que vestidos, escandalosamente perfeitos e refinados acessórios, estarão traduzindo as essências que compõem todo o seu conteúdo.
O universo estará confirmando o que foi conspirado em cumplicidade, em uma praia deserta , perto de um velho farol, antes do por do sol.
E cada estrela caminhará sobre tapetes vermelhos e flashes cintilantes na rota das alegrias e emoções imaginadas para esse reencontro , em Setembro, em plena primavera...
Nem sempre, desejarão refugiar-se em cidades pacatas, sem cheiro de pizzas e grelhados tailandeses. Poderão divergir em ideias e opiniões, mas ainda assim, valorizarão a decisão mais coerente.
As relações necessitam navegar, independentemente das turbulências
dos mares, cabendo aos seus marinheiros a devida competência para
contorná-las.
Aprendemos tudo isso, na rica trilha da sensibilidade compartilhada com a família e no debruçar sobre os livros.
E você , quando encontrará as suas amigas e parceiras de todas as horas?
Se não as tem, é hora de começar a pensar sobre isso. Elas sempre
a impulsionarão a inventar um mundo novo para que o seu desejo de ser estrela alcance o universo, se for pedido em cumplicidade, em um cenário qualquer, carregado de significados e boas energias.
Viver buscando fórmulas para perpetuar amizades, seria o mesmo que malhar em ferro frio.
A sintonia surgirá naturalmente.
Acredito que também esteja na vontade de aprender a gostar das pessoas do jeito que elas são .
Esse é o grande cerne da questão. Deixar rolar , sem stress e imposições.
Com essas ferramentas poderemos fazer qualquer sonho ser bonito na realidade desejada e compartilhada especialmente.
Então, está disposta a compor a sua dupla, o seu trio ou o seu quarteto ?
Existe algum mistério nisso?
"'Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.' Artur de Távola"
Lis Lisboa


